O Bitcoin ultrapassou os US$ 72.000 nesta quinta-feira e agora se aproxima de uma zona de preço que pode definir o rumo do mercado nos próximos meses. Enquanto isso, altcoins como Ethereum, Solana e XRP registraram altas de até 8%, impulsionadas pelo alívio nas tensões geopolíticas e pela fuga de capital do mercado de ações sul-coreano.
A zona “make or break” entre US$ 73.750 e US$ 74.400
A faixa entre US$ 73.750 e US$ 74.400 é uma das mais decisivas da história recente do Bitcoin. Nos últimos dois anos, esse nível funcionou como ponto de virada — tanto para encerrar altas quanto para reverter quedas.
No primeiro trimestre de 2024, a euforia dos ETFs spot perdeu fôlego justamente na região de US$ 73.750, o que levou a uma correção até os US$ 50.000 nos meses seguintes. Já em abril de 2025, a mesma faixa marcou o fundo de uma queda que começou acima dos US$ 100.000, com os vendedores secando perto de US$ 74.400 — o que abriu caminho para novas máximas acima de US$ 126.000.
Agora, após uma alta de 10% na semana, o Bitcoin bate novamente nessa porta. Se romper com convicção, sinaliza força compradora suficiente para sustentar uma nova perna de alta. Se for rejeitado, confirma que a tendência de baixa iniciada em outubro segue no controle.
Altcoins disparam com alívio na guerra e fuga da Coreia do Sul
A alta não ficou restrita ao Bitcoin. O Ether subiu 7,5% para US$ 2.114, reconquistando o patamar de US$ 2.000 com força pela primeira vez desde o fim de fevereiro. Dogecoin avançou 7,5%, Solana somou 5,3% para US$ 89,91, XRP subiu 4,2% para US$ 1,41 e o BNB ganhou 3% para US$ 650.
O catalisador principal foi a mudança no apetite global por risco. As bolsas asiáticas se recuperaram pela primeira vez desde o início do conflito com o Irã, com destaque para a Coreia do Sul: o índice Kospi, que havia despencado 20% em duas sessões, disparou 11% na quinta-feira.
A Coreia do Sul é um dos poucos mercados onde investidores de varejo dominam tanto ações quanto criptomoedas. Analistas observam que os traders sul-coreanos costumam rotacionar entre mercados especulativos — e com o Kospi em colapso após meses de bolha em ações de inteligência artificial, parte desse capital pode estar migrando para cripto.
ETFs mantêm sequência positiva, mas dados on-chain pedem cautela
Os ETFs spot de Bitcoin nos EUA registraram mais US$ 155 milhões em entradas líquidas na quarta-feira, estendendo uma sequência de duas semanas que soma cerca de US$ 1,47 bilhão. No total, aproximadamente US$ 700 milhões fluíram para os fundos desde o início de março.
“O Bitcoin está sendo cada vez mais reprecificado pelo mercado como um hedge geopolítico, e não apenas como um ativo de risco”, afirmou Livio Weng, CEO da Bitfire. “Diferente do ouro, o Bitcoin opera 24/7 e pode cruzar fronteiras instantaneamente.”
Apesar do otimismo, dados on-chain da Glassnode pedem cautela. O lucro realizado médio (30 dias) caiu 63% desde o início de fevereiro. A parcela do supply em lucro recuou para cerca de 57% — nível historicamente associado a estágios iniciais de bear markets mais profundos. O custo base dos holders de curto prazo, em torno de US$ 70.000, pode transformar essa região em zona de distribuição, com traders saindo perto do breakeven.
O que esperar
O cenário é de bifurcação. A guerra Irã-Israel segue sem resolução — o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que as operações podem durar de três a oito semanas. Porém, a estabilização do Estreito de Ormuz e o recuo nos preços do petróleo reduziram o pânico inicial.
Para o Bitcoin, os próximos dias são cruciais. A zona de US$ 73.750 a US$ 74.400 é o teste definitivo. Traders e investidores devem monitorar o volume e o comportamento dos ETFs para entender se essa alta tem sustentação — ou se estamos diante de mais uma rejeição em um nível que, historicamente, não perdoa.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





