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Banco Central do Irã usou USDT como “dólar sintético”, diz relatório, e expôs o limite das stablecoins sob sanções

Mauro Andrade by Mauro Andrade
janeiro 26, 2026
in Notícias
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Banco Central do Irã usou USDT como “dólar sintético”, diz relatório, e expôs o limite das stablecoins sob sanções
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Um relatório publicado pela empresa de análise blockchain Elliptic afirma que o Banco Central do Irã (CBI) operou uma infraestrutura de carteiras para adquirir pelo menos US$ 507 milhões em USDT, a stablecoin pareada ao dólar emitida pela Tether. A Elliptic diz que o número é um piso, porque considera apenas endereços atribuídos ao CBI com alto grau de confiança.

De acordo com o documento, duas compras detalhadas em documentos vazados ocorreram em abril e maio de 2025, com pagamento em dirhams dos Emirados (AED). A leitura da Elliptic é que o Irã buscou manter reservas em valor de dólar fora dos canais tradicionais, reduzindo a exposição a bloqueios do sistema financeiro global.

O relatório também descreve uma mudança no padrão de movimentação dos fundos. Até o começo de junho de 2025, a maior parte do USDT teria sido enviada para a Nobitex, apontada como a maior exchange do Irã, o que sugere uso como “hub” local para converter liquidez em dólar para o mercado doméstico. Depois, o fluxo teria migrado para serviços que transferem ativos entre redes e para operações em ambientes descentralizados, numa tentativa de aumentar a complexidade do rastreamento.

Essa virada coincide com um ataque cibernético à Nobitex em 18 de junho de 2025, atribuído ao grupo Gonjeshke Darande, também conhecido como Predatory Sparrow. A ação teria resultado em mais de US$ 90 milhões em criptoativos enviados a endereços que tornaram os fundos irrecuperáveis, um gesto descrito como politicamente motivado.

Por que um banco central faria isso

A Elliptic aponta dois objetivos prováveis. O primeiro seria tentar conter a desvalorização do rial iraniano, “injetando” liquidez em dólar no mercado doméstico por meio do ecossistema cripto quando sanções dificultam o uso direto de reservas tradicionais. O segundo seria criar uma camada financeira paralela para liquidar comércio internacional sem depender de infraestrutura como SWIFT e bancos correspondentes nos EUA.

O relatório enfatiza que, embora a intenção seja contornar restrições, o uso de stablecoins em blockchains públicas cria rastros permanentes e permite ações de bloqueio em pontos de controle. Um exemplo citado é a capacidade do emissor de congelar endereços: a Elliptic afirma que, em 15 de junho de 2025, carteiras ligadas ao CBI foram colocadas em lista de bloqueio, resultando no congelamento de cerca de 37 milhões de USDT.

Estratégia de comunidade para cobrir o tema sem virar tutorial nem torcida

O nosso especialista em crescimento de comunidade sugere tratar o caso como uma pauta de “finanças e geopolítica”, com foco em alfabetização e risco, evitando linguagem que ensine evasão de sanções.

  1. Sala de situação semanal: um resumo curto, sempre com três blocos fixos, o que o relatório afirma, o que é confirmado por fontes independentes, e quais perguntas seguem em aberto.

  2. Glossário de termos que confundem: “stablecoin”, “sanções”, “blacklist”, “custodiante”, “trilhas de pagamento”, com exemplos neutros e sem passo a passo operacional.

  3. Checklist de leitura crítica: como avaliar um relatório on-chain, o que significa “lower bound”, e como diferenciar inferência de evidência documental.

  4. Debate com recorte de compliance: convidar alguém de prevenção a crimes financeiros para explicar por que emissores e exchanges viram pontos de controle, e o que isso diz sobre o limite da “neutralidade” das stablecoins.

O caso descrito pela Elliptic reforça que stablecoins podem ser usadas em estratégias de Estado para substituir o acesso a dólares e a canais bancários sob sanções, mas também mostra o outro lado do mesmo mecanismo: a transparência das blockchains e o poder do emissor de congelar endereços criam ferramentas de rastreio e interrupção de fluxos. Em 2026, a discussão tende a ficar menos sobre “cripto versus sistema” e mais sobre governança, pontos de controle e como infraestrutura digital se cruza com política monetária e geopolítica.

Mauro Andrade
Mauro Andrade

Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.

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