A plataforma de apostas Polymarket, conhecida por aceitar exclusivamente criptomoedas, está no centro das atenções mundiais com uma nova e inusitada operação: o gerenciamento das apostas globais sobre quem será o novo papa. A movimentação começou logo após a morte do papa Francisco, anunciada nesta segunda-feira (21).
No momento, o cardeal italiano Pietro Parolin lidera as apostas com 32% de chances de suceder o pontífice. Parolin é secretário de Estado do Vaticano desde 2013 e, por ocupar o segundo cargo mais importante da Igreja, é frequentemente chamado de “vice-papa”. Na segunda posição está o filipino Luis Antonio Tagle, ex-arcebispo de Manila, com 25% das intenções. Ele é considerado herdeiro do pensamento de Francisco, principalmente em temas como justiça social e imigração.
O volume total apostado na plataforma já ultrapassa os US$ 3,6 milhões, o equivalente a R$ 20,8 milhões, com cotas abertas para mais de uma dezena de cardeais cotados. Entre os favoritos ainda estão Matteo Zuppi (12%), Péter Erdő (10%) e Peter Turkson (9%). Há até uma possibilidade remota — com menos de 1% de chance — de que nenhum novo papa seja eleito em 2025, hipótese que só ocorreria em caso de um impasse prolongado no conclave dos cardeais.
Construída sobre a rede Polygon, uma blockchain de segunda camada do Ethereum, a Polymarket utiliza principalmente a stablecoin USDC para as transações. Recentemente, passou também a operar com a Solana, ampliando seu alcance no universo cripto. No último ano, a plataforma movimentou mais de US$ 11,4 bilhões e ganhou notoriedade por prever corretamente eventos como o resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2024, que culminaram na reeleição de Donald Trump.
Apesar do sucesso, a Polymarket opera sob uma série de restrições legais. A plataforma está proibida nos Estados Unidos após um acordo firmado com a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), que considerou ilegais os contratos binários oferecidos pela empresa. Em novembro de 2024, o FBI chegou a invadir o apartamento do CEO Shayne Coplan, em Nova York, como parte de uma investigação sobre o uso da plataforma por cidadãos norte-americanos. Casos similares de proibição e investigações também ocorreram em Taiwan, Tailândia, Singapura e França.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





