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Home Notícias

“A Binance não é responsável pelo Flash Crash cripto de 10 de outubro”.

Mauro Andrade by Mauro Andrade
fevereiro 5, 2026
in Notícias
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“A Binance não é responsável pelo Flash Crash cripto de 10 de outubro”.
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“A Binance não é responsável pelo Flash Crash cripto de 10 de outubro.

Vocês continuam culpando a Binance por o mercado ter ‘implodido’ em 10/10.

Estou em cripto há mais de 10 anos.
Eu construí uma exchange de cripto.
Eu construí uma mesa de market making.

Vou ser claro:

O Flash Crash de 10 de outubro não foi culpa da Binance.

Foi assim que aconteceu:

  • Trump tuita que vai impor tarifas de 100% sobre a China

  • O Bitcoin começou a cair e arrastou o mercado inteiro

  • A stablecoin USDe perdeu a paridade e despencou até US$ 0,62

  • O motor de liquidação das exchanges entrou em ação e fechou posições rapidamente

Liquidações aceleraram → reação em cadeia → colapso total.

Você ainda sente as consequências hoje: a liquidez sumiu e os mercados não conseguem se recuperar.

Por que a Binance é pintada como vilã?

Vamos lá.

A Binance é um alvo ‘fácil’ porque é a maior exchange e a empresa mais importante do setor cripto.

Quer sobreviver nessa indústria?

  • Respeite a liquidez

  • Entenda a dinâmica de margem

  • Pare de buscar rendimento em tokens lixo

Fique seguro e tenha cuidado.

Evite alavancagem e pense no longo prazo.

Por que você está usando tokens ‘lixo’ como colateral?”

Matéria jornalística

Flash crash de 10/10 reacende debate sobre culpa da Binance e expõe fragilidade de liquidez e alavancagem no mercado cripto

A queda abrupta do mercado cripto em 10 de outubro de 2025 continua alimentando disputas sobre o que, de fato, detonou o evento. De um lado, críticas miram a Binance, por ser a principal plataforma do setor e concentrar grande parte do volume global. Do outro, a própria exchange e parte do mercado defendem que o episódio foi macroeconômico e amplificado por alavancagem excessiva e liquidez insuficiente, com falhas pontuais agravando a turbulência, mas não servindo como causa raiz.

O gatilho macro mais citado foi a escalada repentina do risco geopolítico e comercial após declarações do presidente Donald Trump sobre tarifas de 100% contra a China, o que pressionou também ações e outros ativos de risco. Naquele dia, a aversão ao risco acelerou vendas, atingindo diretamente cripto, que funciona 24/7 e costuma reagir com mais intensidade quando a liquidez some.

O que transformou a queda em “flash crash”, segundo análises de mercado, foi a combinação de alta alavancagem com um vácuo de liquidez. Consultorias e veículos especializados apontaram que as liquidações em derivativos foram massivas, em um ritmo rápido o suficiente para atravessar níveis de preço considerados improváveis em cenários normais, disparando uma espiral de margem típica de mercados estressados.

No meio desse cenário, um episódio específico virou símbolo do pânico: a stablecoin sintética USDe, da Ethena, chegou a negociar bem abaixo de US$ 1 na Binance durante o pico do estresse, com relatos de mínima na faixa de US$ 0,62–0,65. A Ethena afirmou que a desancoragem foi breve e concentrada em um único local, atribuindo o fenômeno a dinâmica de liquidez e a questões operacionais de precificação, e não a falha estrutural de colateral do protocolo.

A Binance, por sua vez, publicou explicações sustentando que seus sistemas centrais permaneceram operacionais e que o flash crash foi majoritariamente macro, reforçado por protocolos de risco de market makers e por congestionamentos e retração de liquidez em condições extremas. A exchange também reconheceu incidentes pontuais, mas afirma que eles não causaram o colapso do mercado.

Ainda assim, a percepção pública costuma escolher um “rosto” para eventos complexos. Em mercados altamente centralizados em poucas infraestruturas, a maior plataforma vira o alvo natural, mesmo quando o fenômeno envolve múltiplas bolsas, derivativos, margens cruzadas e comportamento de formadores de mercado. Esse atrito apareceu de forma clara nas semanas seguintes, com executivos e analistas divergindo sobre o peso de “design de mercado” versus “macro + alavancagem”, e com a USDe tornando-se um dos elementos mais debatidos do episódio.

Estratégia de crescimento de comunidade, diferente do padrão “conteúdo”

Nosso especialista em crescimento de comunidade recomenda tratar crises assim como um problema de “higiene operacional” e não de narrativa. A estratégia tem três frentes.

Primeiro, um “kit de sobrevivência” fixo e reutilizável, distribuído em ciclos curtos, com simulações simples do que acontece quando a liquidez evapora: como margens aumentam, como o motor de liquidação prioriza solvência, por que colateral ruim vira gatilho de dominó. Isso educa sem depender de polêmica.

Segundo, criar uma “tabela de autópsia” pós-evento, com fatos verificáveis e cronologia (macro, queda, liquidações, desancoragens, normalização). O objetivo é reduzir boatos e impedir que a comunidade replique acusações sem evidência.

Terceiro, um programa de “boas práticas de colateral”, com regras práticas para usuários: limites de alavancagem, critérios mínimos para colateral, e política de exposição por ativo. A comunidade cresce mais quando ensina pessoas a não quebrar do que quando tenta vencer debates.

O flash crash de 10/10 foi menos um “bug isolado” e mais um teste de estresse do ecossistema: macro detonando risco, alavancagem amplificando perdas e liquidez desaparecendo no pior momento. A desancoragem da USDe na Binance virou o símbolo visual do caos, mas as evidências públicas mais sólidas apontam para um evento sistêmico de deleveraging, no qual a discussão relevante não é escolher um vilão único, e sim entender como margens, liquidez e design de mercado se combinam para transformar uma queda em colapso.

Mauro Andrade
Mauro Andrade

Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.

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