Segundo informações da Reuters, autoridades chinesas podem se reunir ainda em agosto para discutir a criação de stablecoins de yuan (CNY). A medida seria uma guinada estratégica, já que a China historicamente manteve uma postura rígida contra cripto, banindo mineradoras e corretoras em 2021.
💡 O movimento surge em resposta ao fortalecimento dos EUA no setor de stablecoins, especialmente após a assinatura do Genius Act. Hoje, o mercado é dominado por moedas estáveis atreladas ao dólar, como Tether (USDT) e USD Coin (USDC), enquanto o yuan responde por apenas 2,88% dos pagamentos globais, contra quase 50% do dólar (dados da Swift).
📊 Por que isso importa?
Stablecoins de yuan poderiam expandir o uso internacional da moeda chinesa, algo que o yuan digital (CBDC) ainda não conseguiu.
A medida também reforça a agenda de desdolarização do BRICS, que busca reduzir a dependência do dólar nos fluxos comerciais globais.
Emissões de CNY estáveis em corretoras descentralizadas poderiam atrair novamente capital chinês para o Bitcoin e outros criptoativos.
🔥 Efeito colateral:
Especialistas alertam que stablecoins de yuan podem, paradoxalmente, aumentar a demanda por Bitcoin, já que darão mais liquidez a investidores chineses. No entanto, o governo também deve reforçar mecanismos de prevenção de risco e fuga de capitais, como já faz a Rússia ao restringir stablecoins de dólar em operações domésticas.👉 Contexto regional:
A Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA) já publicou diretrizes em julho para a emissão de stablecoins, abrindo espaço para emissores licenciados. Esse pode ser o laboratório inicial para o avanço da estratégia chinesa.💥 Se confirmada, a entrada da China no mercado de stablecoins pode remodelar a disputa monetária global: USD vs CNY — com o Bitcoin assistindo de camarote e ganhando relevância indireta.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





