Uma pesquisa encomendada pela Bitpanda no Reino Unido indica que ferramentas de IA estão virando uma referência prática para quem tenta entender criptomoedas, inclusive na hora de decidir se compra ou não. Segundo os resultados divulgados em fevereiro de 2026, 46% dos adultos britânicos dizem confiar no ChatGPT como fonte para aprender sobre cripto, e 30% afirmam já ter usado ferramentas de IA para compreender conceitos básicos do setor.
O levantamento também aponta que essa busca por orientação não fica só na teoria. Entre os que recorreram à IA para pesquisar, 54% acabaram fazendo algum investimento em ativos digitais depois. Na fotografia geral do mercado, a Bitpanda estima que cerca de 6,5 milhões de britânicos já possuem criptoativos e que outros 15% pretendem investir no futuro.
O pano de fundo é um déficit de letramento financeiro e uma sensação de insegurança para decidir. A própria Bitpanda descreve que uma parcela relevante do público se sente confusa com temas como criptomoedas, carteiras e blockchain, e que parte dessa confusão vem do excesso de informação não verificada e da falta de educação financeira mais aplicada. Em declarações associadas à pesquisa, o diretor da Bitpanda no Reino Unido, Kevan Edgerton, chama atenção para o risco de decisões tomadas com base em fontes pouco confiáveis e reforça a necessidade de orientação mais clara e acessível.
O dado mais sensível, do ponto de vista de risco, é a delegação de uma decisão financeira a respostas genéricas. IA pode resumir conceitos, explicar diferenças entre ativos e listar cuidados, mas tende a não “conhecer” perfil de risco, horizonte, renda e restrições do usuário. Isso abre espaço para decisões apressadas em um mercado naturalmente volátil, principalmente quando a pessoa usa a IA como substituto de planejamento, e não como apoio à pesquisa.
Estratégia de comunidade: como transformar o tema em conteúdo útil
Esse assunto é perfeito para conteúdo de retenção porque toca em um comportamento real: gente aprendendo finanças “na marra”. A estratégia com nosso especialista em crescimento de comunidade é simples e repetível: publicar um guia curto de boas práticas para usar IA com segurança (o que perguntar, o que desconfiar, como checar fontes), fazer um post comparando “educação” versus “recomendação” e fechar com um checklist de gestão de risco básico (alocação pequena, evitar alavancagem, regras de custódia e segurança). O ganho é posicionamento: a comunidade vira referência de prudência, não de hype.
O estudo da Bitpanda sugere que a IA já ocupa o lugar de “primeiro professor” de cripto para milhões de britânicos e que isso está impactando decisões de investimento. O desafio agora é reduzir o risco de orientação superficial: o mercado pode até ser novo, mas as regras de proteção do investidor continuam as mesmas, e precisam ser ensinadas com a mesma força que a tecnologia.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





