A Fireblocks, empresa israelense de infraestrutura para ativos digitais, está ampliando a operação no Brasil e reforçando sua presença no escritório de São Paulo, em um momento em que o novo marco regulatório brasileiro para provedores de serviços de ativos virtuais começa a produzir efeitos práticos no planejamento de bancos, fintechs e provedores de pagamento. A leitura da companhia é que a clareza regulatória destravou projetos que ficaram em avaliação por anos e agora estão migrando para ambientes de produção, elevando a demanda por custódia, movimentação segura, tokenização e fluxos com stablecoins em padrão institucional.
O timing não é casual. O Banco Central do Brasil comunicou que normas para o mercado de ativos virtuais entram em vigor em 2 de fevereiro de 2026, com etapas posteriores de obrigações informacionais e supervisão. Esse tipo de regra tende a acelerar decisões internas porque transforma “apetite” em “roadmap”: compliance, auditoria, gestão de risco e governança passam a ter parâmetros mais definidos para aprovar produtos e integrações.
Segundo a própria Fireblocks, a empresa atende milhares de organizações globalmente e tem uma base regional relevante na América Latina, com o Brasil representando uma fatia importante. A expansão local é vendida como resposta à necessidade de suporte mais próximo para projetos que envolvem operações de tesouraria onchain, custódia e integração com rails de stablecoins, especialmente quando instituições tradicionais precisam manter padrões de resiliência operacional comparáveis aos do resto do negócio.
Brasil e América Latina como laboratório de stablecoins
O movimento também se apoia em tendências regionais. A Fireblocks vem destacando que a América Latina usa stablecoins de forma mais “operacional” do que exploratória, com pagamentos transfronteiriços aparecendo como um dos principais casos de uso, bem acima da média global em pesquisas da própria empresa. Isso ajuda a explicar por que infraestrutura e governança (custódia, políticas de chaves, controles de transação, segregação, trilhas de auditoria) viraram pré-requisito para bancos e pagamentos entrarem com escala.
Do lado do mercado, a Chainalysis apontou a América Latina como um dos polos de crescimento mais rápido, citando avanço ano a ano na atividade onchain em 2025, o que reforça o argumento de que a região não é apenas “investimento”, mas uso crescente em fluxos financeiros reais.
A expansão da Fireblocks no Brasil funciona como um sinal de fase: com regras mais claras e pressão por conformidade, a adoção institucional tende a migrar de pilotos para operação contínua. O gargalo deixa de ser “se vamos entrar” e vira “como entrar com segurança, governança e continuidade”. Para o ecossistema, isso geralmente significa mais infraestrutura, mais integração com stablecoins e mais exigência de controles, especialmente para quem quer operar com clientes corporativos e instituições reguladas.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





