As pesquisas no Google pela expressão “Bitcoin vai a zero” voltaram a disparar e atingiram o maior nível desde o pânico pós FTX em novembro de 2022, de acordo com leituras do Google Trends para os últimos cinco anos citadas em reportagem recente.
O salto nas buscas ocorre junto com uma correção forte do preço. O Bitcoin saiu da máxima histórica registrada no início de outubro de 2025, por volta de US$ 126 mil, e passou a ser negociado perto de US$ 66,5 mil em meados de fevereiro de 2026, uma queda próxima de 50% a partir do topo, segundo referências de mercado usadas na matéria e dados públicos de preço.
O sentimento também piorou nas métricas de humor do investidor. O Crypto Fear and Greed Index chegou a leituras de “medo extremo” na faixa de 9, patamar associado historicamente a momentos de estresse do mercado, como as crises de 2022, segundo acompanhamento citado por veículos e indicadores monitorados pelo setor.
Por que o medo de 2026 é diferente do de 2022
A leitura apresentada por uma plataforma de inteligência de narrativas, a Perception, é que o medo de 2022 foi puxado por eventos internos do próprio mercado cripto, com quebras e efeito dominó em intermediários, enquanto o medo atual estaria mais ligado a preocupações macroeconômicas e amplificado por uma voz baixista muito repercutida nas últimas semanas.
No noticiário, um dos nomes mais associados a essa narrativa recente foi Mike McGlone, da Bloomberg Intelligence, que chamou atenção ao defender cenários de queda bem mais agressivos e, depois, ajustou publicamente o alvo de baixa diante de reação do mercado.
O pano de fundo macro também ajuda a explicar por que termos “existenciais” voltam a circular. O World Uncertainty Index, que mede “incerteza” por mineração de texto em relatórios nacionais da Economist Intelligence Unit e é disponibilizado em bases como o FRED, é frequentemente citado como termômetro para fases em que empresas e investidores ficam mais defensivos.
Estratégia de comunidade: converter pânico em clareza útil
Esse tipo de manchete viraliza porque dá linguagem simples para um sentimento complexo. A estratégia com nosso especialista em crescimento de comunidade é transformar o tema em educação prática, em três posts curtos e reaproveitáveis: primeiro, explicar o que o Google Trends mede e o que ele não mede; segundo, colocar o preço em contexto com ciclos, drawdown e volatilidade; terceiro, separar risco de custódia, risco de intermediário e risco macro, com um checklist objetivo de proteção e gestão de exposição. O ganho aqui é retenção: quando o varejo entra em pânico, quem oferece contexto vira referência.
O pico nas buscas por “Bitcoin vai a zero” funciona como termômetro de medo do público, não como prova de desfecho. O que torna este episódio relevante é a combinação de queda forte a partir do topo, sentimento em medo extremo e ansiedade macro mais alta, enquanto narrativas negativas ganham escala rapidamente. Para quem acompanha o setor, o principal sinal não é a frase do Google, e sim como o mercado responde quando o emocional do varejo sobe e as decisões institucionais seguem outra cadência.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





