O Bitcoin ultrapassou os US$ 71.500 nesta sexta-feira (13), mostrando força surpreendente em um cenário macroeconômico que, em teoria, deveria pressionar ativos de risco. Dólar americano mais forte, petróleo acima de US$ 100 o barril e rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA em alta contrastam com a resiliência da maior criptomoeda do mundo.
Macro contra, Bitcoin a favor
O Índice do Dólar (DXY) ultrapassou a marca de 100 pontos pela primeira vez desde o final de novembro — um sinal de aperto nas condições financeiras globais que historicamente pressiona tanto ações quanto criptomoedas. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos também subiram acima de 4,2%, elevando os custos de financiamento e reduzindo a atratividade de ativos sem rendimento.
Enquanto isso, tanto o Brent quanto o WTI seguem na casa dos US$ 100 por barril, alimentados pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que entra em sua terceira semana. A combinação de petróleo caro com dólar forte normalmente reforça expectativas de juros mais altos — um ambiente hostil para ativos de risco.
Mesmo assim, o Bitcoin subiu e se mantém acima dos US$ 71.000, figurando entre os ativos macro de melhor desempenho desde o início do conflito, em 1º de março.
Padrão de sexta-feira não se repete
Segundo análise da CoinDesk, sextas-feiras durante este período de tensão geopolítica historicamente registraram quedas médias de 3% no preço do Bitcoin. Até o momento, esse padrão não se repetiu hoje, reforçando a tese de que o mercado está tratando o BTC como uma espécie de refúgio — ou, no mínimo, como um ativo descorrelacionado dos mercados tradicionais.
Enquanto o Nasdaq 100 (QQQ) operava praticamente estável, ações ligadas a cripto mostraram sinais mistos. A Coinbase (COIN) subiu cerca de 2%, enquanto mineradoras que migraram para infraestrutura de IA, como IREN e Cipher Digital, abriram em leve queda.
Strategy compra mais 11 mil BTC na semana
A Strategy (antiga MicroStrategy), maior detentora corporativa de Bitcoin entre empresas listadas em bolsa, adquiriu aproximadamente 11.000 BTC esta semana, utilizando recursos captados por meio do seu título perpétuo preferencial Stretch (STRC).
O movimento reforça a confiança institucional no Bitcoin mesmo em meio à turbulência geopolítica. Nesta sexta, as ações da Strategy (MSTR) subiam 1% no pré-mercado americano.
O que explica a resiliência?
Analistas apontam uma combinação de fatores sustentando o BTC:
- Fluxos institucionais consistentes — ETFs spot de Bitcoin continuam atraindo capital, e compras corporativas como as da Strategy mantêm pressão compradora
- Narrativa de proteção — com o conflito no Oriente Médio e incerteza macroeconômica, parte do mercado trata o Bitcoin como reserva de valor
- Descolamento de ações — enquanto bolsas tradicionais sofrem com o petróleo caro e juros altos, o Bitcoin mostra que pode performar de forma independente
É importante lembrar que, no início desta semana, o Bitcoin chegou a recuar abaixo de US$ 69.500 com os primeiros ataques a petroleiros no Iraque. A recuperação para acima de US$ 71.000 em poucos dias mostra que o mercado absorveu o choque inicial e recalibrou.
O que observar a seguir
O nível de US$ 72.000 é a próxima resistência relevante. Um rompimento acima desse patamar, especialmente se acompanhado de volume nos ETFs, pode abrir espaço para um novo teste de US$ 75.000. Por outro lado, uma escalada adicional no conflito ou uma surpresa inflacionária nos dados americanos da próxima semana pode trazer volatilidade.
Por enquanto, a mensagem do mercado é clara: o Bitcoin está segurando firme quando tudo ao redor balança.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





